(continuação)
...aqui está o endereço...- pensava.
Batem na porta novamente:
- Albert René, é você?
- Sim, menino Alex. O jantar está servido. Seus pais estão esperando...
- Tá bom! Obrigado.
Continua lendo o endereço e comenta consigo mesmo:
- Não conheço nenhuma garota em Santa Tersa...quem será? O único meio de saber é indo até lá! decide.
Desce as escadas apressadamente. Albert interpela-o:
- E o jantar?
- Agora não posso! Tenho algo muito importante para fazer. Que jantem sem mim. Estarei aqui para a ceia, tá legal?
Albert que não entendia nada, dá de ombros.
Ele entra no carro e sai a toda.
Enquanto isso...
Sozinha, Madá olha o prato em cima da mesa, o copo descartável, o guardanapo, o mísero refrigerante de última categoria e fica a cismar. Sua tia não pode ficar, fora ver a mãe. Ela está terrivelmente só, numa noite festiva de Natal. Seus olhos enchem-se de lágrimas. Pensa: - Uns, com tanta gente e luxo à sua volta, outros...tão só!
Tocam a campainha.
- Quem será? Não espero ninguém!
Levanta-se, dirindo-se até a porta e olha pelo olho mágico. Não reconhece o rosto que aguarda do outro lado. Mesmo assim, abre a porta.
- É a senhorita...- diz o elegante rapaz, titubeante- olhando o cartão que ostentava na mão, fingindo não entender o nome nele escrito.
- Madá. - reponde ela, bastante surpresa.
- É Madá? - indaga o rapaz, com ares de admiração, parecendo gostar do que via.
- Sou sim.
- Posso entrar?
Não o conheço, moço! Parece um granfino...que faz aqui por estes lados da Lapa?ece um granfino...Que faz aqui por estes lados da Lapa?
- Madá...não é você? - indaga o jovem, sorridente. Posso entrar? - repete.
- Claro, claro! Desculpa, tá? Aqui é casa de pobre mesmo! Pobre de dinheiro, de gente, de amor...- sua voz está trêmula. Ela engasga, porque está chorando.
- Que é isso! Chorando numa noite tão linda como essa, Mada? indaga o rapaz, com intenção de consolá-la.- E não é para chorar? Não tenho pai nem irmãos. Sozinha, aqui, sem ter sequer, com quem falar...
- Eu estou aqui, Madá! Vim exclusivamente para falar com você. Quer?
- Deixe de piada!...
- Morgan, Alex Morgan, prazer. - Além de galã, tem um bonito nome! - pensa.
- Deixe de brincadeira, Alex. Eu vou lá, acreditar nisso?
- Assim, você me ofende, sabe? Deixei tudo lá em casa e vim correndo pra cá, só pra conhecer...ver você!
- Para me ver? Como sabe que existo?
- O presente que me mandou, ora!
- Ah...o presente...- ria e chorava ao mesmo tempo. - O presente que lhe mandei? - indaga ela, sem entendar a princípio.
(continuação amanhã)
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