(conto romântico extraido do meu livro:
CONTOS ROMÂNTICOS)
Rio de Janeiro.
Ela não gostava do próprio nome: Madalena. Por isso, gostava que a chamassem de Madá, apenas Madá.
Nada havia dado certo na vida de Madá. Lutara com unhas e dentes, esforçara-se muito até a exaustão, porém foi como se tudo houvesse parado em torno de si. Todos progrediram, ou haviam conseguido alcançar ou conquistar o almejado. Ela, não. Aos seus olhos, todos viviam a vida, ela, como diziam os antigos, "via com os olhos e labia com a testa", ficava "a ver navios"...Mera espectadora.
Madá ía amontoando decepções, fracassos, ía acululando em seu íntimo insatisfeito, desesperanças, esforços vãos. Ía vivendo uma vida apagada e muito sofrida. Seus lindos olhos azuis, nublados por uma insistente tristeza.
Fora criada por uma tia. Sua mãe era uma mulher da vida fácil. Cobria as despesas, ía vê-la de vez em quando. A tia Aurora fora quem realmente a criara. Dera duro!
Madá havia trilhado um caminho reto, dígno, honesto, mas parecia que tudo isso não bastara para que conquistasse seus sonhos, e seus esforços, quase sempre, davam em nada. Não conseguira concluir os estudos. Queria ser professora de Matemática e vivia sonhando que dava aulas...classe cheia, todos os olhos grudados nela, nesse momento, sentia-se importante. Quando acordava, percebia desiludida, que havia sido mais um sonho. Trabalhava como datilógrafa em um escritório de advocacia. Era sempre a mesma rotina: casa trabalho, trabalho casa. Às vezes, saía sozinha, dava um passeio pelo parque da Boa Vista, ou pelas ruas do centro velho do Rio, olhando vitrines. Às vezes, entrava na Igreja de Santo Antônio no Largo da Carioca, para rezar. Andava e pensava: - Que porcaria de vida! Será que nunca vou sair disso? Sempre a mesma coisa...essa insatisfação interior, essa falta do "acontecer"! Por que na minha vida nunca acontece nada? Nesses momentos, Madá chorava, depois enxugava rápido os olhos, para que ninguém notasse. Procurava respirar fundo e...e acabava sentindo-se melhor. Continuava conjecturando...- Se pelo menos eu tivesse pai! Talvez ele me ajudasse a sair deste sufoco...mas não tenho...nem sei quem é ele! Mamãe nunca diz, titia também não...droga! Acaba sempre voltando para casa, cada vez mais triste e solitária.
Era Natal. Na cidade muito movimento, muitas luzes, vitrines enfeitadas repletas de brinquedos e sugestões para presentes. Olhava através do vidro e pensava: - Tudo tão lindo! Tanta gente feliz, presenteando-se uns aos outros...cumprimentando-se. Como deve ser bom ter uma família reunida: pai, mãe, irmãos e... - continuava andando, ora olhando, ora caminhando...Derrepente, teve uma ideia maluca!
Aguardem a segunda parte...talvez...até amanhã, ok?
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