OBCESSÃO
(poema)
Não adianta querer me convencer
De que ele não liga pra mim
Nem insistir em me fazer crer
Que, para nós dois, é o fim!
A casa vazia, o quarto, a cama
Tudo vazio, tudo terrivelmente
Silencioso. E o pior para quem ama
É este imenso vazio dentro da gente.
Vejo-o ora na sala, ora sentado
No banho, sempre a cantar
No nosso quarto, ao meu lado,
Sempre terno a me olhar...
Vejo sua silhueta, pela sala a andar
Em silêncio, em silêncio, a ler´
À mesa. sorrindo, a me falar
E contente, despreocupado, a comer.
Se não está, imagino-o a chegar
Sinto seu perfume envolvente
Ouço sua voz irreal, a me falar
E sinto sua presença ausente,
Com seus fortes braços me envolvendo
E assim, nesta constante obcessão
Vou vivendo, ilusoriamente vivendo
Tentando dar vida ao meu coração.
Teotônia