domingo, 4 de janeiro de 2015

O AMOR NÃO TEM PÁTRIA

O AMOR NÃO TEM PÁTRIA
              (quarta parte)

Era um domingo de 1958.
Marcos chega, para cumprir sua promessa de fazerem um passeio.
Ele vai chegando, trazendo um outro cavalo já selado, conduzido
pelas rédeas. Ele montava um belo cavalo negro. Joyce fica
encantada com o animal e expressa a Marcos, este seu encantamento:
- Noooossa! Um belo animal! Qual é o nome dele, Marcos?
- Tufão. Gostou?
-  É lindo!
- É verdade. Estamos juntos há muito tempo e nos entendemos muito
bem. Mas ele tem suas manhas e um animal viril e fogoso!
- Não me deixaria montá-lo, então?...
- Não. Seria perigoso.
- Que pena! E este outro aí? Suponho, será a minha montaria...
- Sim. Torpedo é mais dócil, apesar do nome. - explica, Marcos.
Torpedo era um manga larga, pelagem branca como a neve. Sua
crina e cauda, ao empreender marcha, balançavam-se esvoaçantes,
tocadas pelo vento. Era uma cena linda de se ver! Cavalos têm
força e elegância únicas! Cavalo é um animal fantástico e são dotados
de uma sensibilidade incrível, muito acima da dos humanos!
- Marcos se apressa, e convida:
- Vamos, Joyce? Vou levá-la para conhecer nossa fazenda e minha
família. Que tal?
- Papai foi garimpar, eu estou sozinha...é, será ótimo!
Marcos tenta ajudá-la a montar, mas para surpresa sua, ela montou
sozinha e com razoável destreza. Ajudada pelo traje confortável: calças
 compridas, muito apropriadas para a ocasião. Marcos verificou que
pouco pode ajudar Joyce, parecia mesmo, estar habituada a cavalgar,
manejando bem as rédeas. Após uma hora de cavalgada e conversas,
chegam à fazenda Paineiras. Via-se uma "casa grande" de alvenaria,
coberta com telhas "comuns", como eram chamadas naquela região.
Paredes brancas e janelas em madeira de um castanho
"café torrado". Erguida num terreno um pouco inclinado, sendo a
frente térrea os fundos da casa apresentavam-se com dois pavimentos,
ligados ao quintal por uma escada de pedras. Quintal esse, que era um
verdadeiro pomar. Após o último degrau para alcançar o solo, via-se
a tão famosa "bica" com água corrente, e mais adiante podia-se ouvir o
o tum, tum, tum cadenciado, do monjolo socando o café recém secado,
colhido ali mesmo na fazenda. Seguindo o rego d'água, Joyce viu algo que
desconhecia: uma galinha presa, com os pés imersos na água corrente. E
 tratou logo de perguntar: Por que a galinha está presa deste jeito, Marcos?
- Ah, é para ela deixar do choco! - respondeu ele, sorrindo ante a ingenuidade
da namorada. E o passeio pelo quintal continuou. Joyce tinha diante dos olhos,
uma paisagem digna de um pintor. Era uma visão única. A voz de Marcos
vem tirá-la de seu devaneio.
- Então, que está achando do lugar?
- Tudo muito bonito!
Logo começa as apresentações. Sr. Mariano, o pai; D. Eudália a mãe;
o irmão Jonas e duas irmãs: Ana e Lenita. Ana já era casada e residia em
Serro Azul, uma pequena cidade próxima. Uma família bonita e laboriosa.
Marcos era o braço direito do pai, em todos os trabalhos que demandavam
sua força e boa vontade.
Após um suculento lanche com pães de queijo, café e leite gordo,
empreenderam o tão esperado passeio a cavalo.

Nb. continuarei nos próximos dias...