sábado, 7 de janeiro de 2012

ÍDOLO PARTIDO

         (texto extraido do meu livro:
   O AMOR EM ONDAS E CASCATAS)

No pedestal de minha sinceridade, da ilusão ergui-te bem alto, belo, fantástico!
Julguei-te um deus e adorei-te com a ingenuidade de uma criança...
Pensei haver-te criado forte, com a indestrutibilidade da verdade, e com a eternidade do tempo.
Hoje, vendo-te no solo, em cacos despedaçado, de joelhos, deponho ao teu lado, com tristeza e amargura infinitas, as ruinas do meu coração, igualmente destroçado!
Bem melhor foi crer-te de ilusória fascinação do que a real dureza de uma fé frustrada.
Agora, que caiste por terra, sem que eu o conceba, sem que me conforme com tal ideia, sofro as consequências de não querer juntar os cacos, e com o poder da reabilitação, esculturar-te outra vez e...reerguer-te novamente. Seria fácil, se as mágoas que calaram fundo no meu coração sonhador, não empanassem a tua beleza de um sei-deus; se eu pudesse esquecer as decepções e conseguisse, num esforço supremo, restituir-te o fascínio com que te auri a fronte altiva.
Mas, para não ver-te mais, melhor fora que eu não tivesse olhos, e para esquecer-te, melhor fora que eu não tivesse coração!

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