(extraido do meu livro:
FATOS E NÃO BOATOS
Medeiros, pacato vilarejo construido no alto de uma serra no oeste de Minas Gerais, de clima ameno, acolhia cidadãos simples mas felizes. Lugar onde se podia deixar portas e janelas abertas dia e noite sem que acontcesse nunhum fato desagradável, inesperado e violento. Todos se conheciam e viviam em paz. Se alguém, fora de hora, batesse na porta do outro, podia-se saber que se tratava de um amigo precisando de um favor emergencial ou ajuda.
Mas, um fato estranho estava deixando alguns cidadãos assustados: um fantasma. Tratava-se de um fantasma que andava assustando cavaleiros que estivessem se dirigindo a Bambui, cidade próxima, seis léguas de Medeiros. O local onde ele aparecia assustando a uns e assombrando a outros que acreditavam na sua existência, era logo após a ponte sobre o riacho que passava pela fazenda ÔLHO D´ÁGUA distante de Bambui uma hora a cavalo.
À noite, logo após a ponte havia um aclive na estrada de terra e cascalho , ladeada por arbustos e pequenas árvores de cerrado. Era nesse ponto que o fantasma aparecia assustando cavaleiros solitários e arrancando arrepios naqueles que acrefditavam. Erguendo-se de supetão e soltando o tão famoso: Ô.Ô.Ô.Ô.ÔH!...Sacudia os braços sob aquela coisa branca - lembrando um lençol - brandia-os e pulando diante do cavalo que impinava sobre as patas traseiras quase derrubando o cavaleiro amedrontado. Alguns davam meia volta e regressavam a Medeiros, outros com esforço, conseguiam fazer o cavalo retomar o trote e depois, saia em desabrido galope até Bambui, sem olhar para trás!
Um dia, Honório José Teotônio, fazendeiro daquela redondeza e cidadão medeirense, homem de fé, ao ouvir a história sobre o fantasma, claro, não acreditou. Reunido com seus irmãos, um belo dia, desse a Antônio Flor, José e Antão que iria conferir a veracidade daquela história. Vitalino, outro seu irmão que residia numa região chamada Gurita, não estava presente. Honório recomendou:
- Não contem a ninguém esta minha decisão. Quero fazer uma surpresa para o tal fantasma, certo? Vou até a ponte da Gurita para ver de perto com meus próprios olhos o tal fantasma.
- Tem medo, não? emendou, José.
- Medo? Como, se não acredito?
Honório, seguro de si, Antão, inseguro e os outros dois entre uma sensação e outra, olhavam para ele sem saberem o que dizer. Mas concordaram em guardar segredo, como Honório havia pedido. A conversa parou por ali. Honório veste seu chapéu e sai. Ele não desistira da idéia e logo a poria em prática. Meio que sorrindo, volta-se para os irmãos a assegura:
- Quando encontrá-lo...quero dar-lhe um belo tiro no seu traseiro fantasmagórico! Os irmãos, claro, não acharam graça nenhuma, apenas diriguram-lhe olhares de medo e espanto.
Honório prepara tudo, arreaia o cavalo, coloca sua espingarda pendurada na cabeça do arreio, reza o Credo, um Pai Nosso, persigna-se e toca o cavalo em direção à Gurita.
- Se o tal fantasma existe mesmo, vou encontrá-lo! pensou com seus botões.
Era quase meia noite, ao aproximar-se do local, podia-se ver a cerca que fazia a divisa da fazenda Ôlho D'Água. Segurou firme as rédeas e o cavalo reduziu o trote. Observa ambos os lados da estrada sob os raios da lua pra ver se divisava a figura fantasmagórica. Que nada! Quando acabava de passar pela ponte de madeira e ganhava novamente a estrada, do lado direito e de entre os arbustos, surgiu o fantasma. Erguendo os braços, pulava e gritava:
- Ô.Ô.Ô.Ô.ÔH!!!...O cavalo parou derrepente, relinchou e empacou. Honório então gritou:
- Ê.Ê.Ê.Ê.ÊH...seu fantasma fajuto, vou da um tiro nessa sua cabeça grande...e depois...outro no seu belo traseiro branco! Honório jogava verde para colher maduro. Precisava de tempo.Tirou a espingarda da capa que pendia do lado direito da cabeça do arreio, armou e apontou - claro que não tinha intenção de atirar uma vez que não acreditava em fantasmas - devia haver alguém se fazendo passar por um. Precisava ter cuidado....muito cuidado! voltou a inssistir:
- Então...fantasma...fantasma não morre mesmo, né? Então...lá vai...faça bom proveito!
O fantasma parou de pular e apressou-se em esclarecer:
- Para, compadre...não atira! Sou eu, Vitalino.
Vitalino era irmão ausente no dia da reunião que residia na fazenda ÔLHO D'ÁGUA, ali mesmo onde ele, colocando um lençol branco sobre a cabeça, pulando, gesticulando e gritando: Ô.Ô.Ô.Ô.ÔH! brincava de assustar sa todos que por ali passassem à noite. Aquela brincadeira bem poderia tê-lo levado à morte, não fosse a perspicácia de Honório.
Porém, Honório, homem justo e de fé, não acreditara naquela história
Ahahaha... Quase o Honório faz o Vitalino virar fantasma mesmo!!
ResponderExcluirGosto de cabra feito o Honorio...
ResponderExcluirFoi um bom causo..senti cheiro de mato, de terra..