segunda-feira, 21 de novembro de 2011

MEU AMOR, MEU CARRASCO

         (soneto extraido do meu livro:
            SEM HORIZONTES

Vamos, desce sobre mim teu braço implacável!
Dá o rude golpe letal a esse coração!
Anda, destila o teu ódio inexgotável
E acaba de vez, com essa cruxifixão!

              Bebe o sangue, que da ferida jorra,
              Sacia pois, nele, a tua ferina vaidade!
             Alimenta o teu machismo, em desforra
             E amplia mais e mais, a tua insana leviandade!

Mas se tudo isso, não te bastar,
Podes, no chão, esse meu coração, agonizante,
Num tresloucado ritual, pisotear!

           Se a ti te satisfaz, o meu sofrimento,
          Ou, se ainda bem pode curar-te, a minha morte,
          Mata-me! Não, não hesita um só momento!

Um comentário:

  1. Este é, sem dúvida, um grande e eloquente aviso de amor e doação sem limites... Parabéns pela força de suas palavras! Na voz de Colli Filho ficou impressionante...

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