ACONTECEU ASSIM...
(texto extraído do meu livro: FATOS E NÃO BOATOS)
Havia na cidade de Bambuí, Minas Gerais, uma senhora muito bondosa, que residia numa chácara, na zona urbana. A casa era grande, lugar ideal para as crianças que tomava conta, vindas de Medeiros, cidadezinha que ficava a seis léguas dalí. Filhos de gente conhecida, vinham para estudarem. Em Medeiros, naquela época, só havia o ensino fundamental. Todos a chamavam de "Madrinha". E, Honório José Teotônio era um deles.
Honório já era um rapazinho e, vez por outra, ía visitar a Madrinha. Não queria perder contato com aquela maravilhosa pessoa, a quem tanto devia.
Um dia, Virgílio, um dos garotos que também havia ficado em sua casa para estudar e que, agora vivia numa chácara próxima à dela, recebeu uma inesperada visita da madrinha.
- Então...a que devo a sua agradável visita?
- Virgílio...vim aqui encomendar o meu caixão. Foi falando sem reservas.
- Seu caixão?!!! Como assim?
- É simples, quero que faça meu caixão. Quero vê-lo pronto, em vida. Aquela táboa alí...serviria? pergunta Madrinha, apontando para uma táboa encostada na parede da oficina.
-Serve...Responde Virgílio, meio encabulado.
- Então...está combinado. Quando ficará pronto?
- Em tres dias...por que?
- Antes...quero fazer-lhe uma recomendação: que seja reccoberto por tecido branco com debruns de prata - era tradição na época, que uma virgem fosse enterrada em caixão branco e no caso, ela era uma virgem; adultos e casados, em caixões pretos; jovens maiores de idade, caixões azuis e, finalmente criancinhas: femininas, em caixões brancos e para os masculinos em azul-claro. E Madrinha continuou:...quando ficar pronto leve-o até minha casa, certo?
- Certo. Respondeu, Virgílio, meio assustado.
- Até mais ver, Virgílio!"
- Até mais ver, madrinha!
Três dias depois...
Madrinha estava às voltas com os afazeres da casa, quando Virgílio chegou com o caixão, encostando-o na parede da sala. Madrinha logo diz:
- Ótimo...ótimo! Agora, entra dentro dele.
- Como?!!! Virgílio, estava deveras assustado.
- Entra...entra! Quero ver se serve. Pede ela, satisfeita. Você tem a mesma altura que eu. Encabulado, ele entra no caixão que continuava na vertical, encostado na parede. Ele fica de pé dentro dele. - Coube direitinho...
Ante o olher investigador da Madrinha, Virgílio aguarda, curioso. Ela continuava:
- Huuuummmm!...está bom, muito bom! Quanto lhe devo?
- Não deve nada, madrinha...
E, Virgílio foi embora, intrigado.
Dois meses depois...
(continua no próximo capítulo)
Alguém morre no próximo capítulo??
ResponderExcluir