sábado, 30 de julho de 2011
PARADOXO
Crônica social
(extraída do meu livro de crônicas: MARAVILHAS DA NATUREZA)
Desci do ônibus e estava colocando minhas malas no chão ao lado de um dos bancos, quando ergui os olhos, lá estava ele: esbelto, forte, louro, de caberlos semilongos, encacaracolados. Vestia camisa de malha à moda olímpica e trazia a fronte ungida por uma fita à "la romana".
Ali, no umbral da porta de entrada, com a luz solar a lhe bater nos cabelos, em dourados reflexos, mais parecia um competidor olímpico da Idade Medieval: imponente, musculoso, dasafiador!
Entretanto, havia um não sei que de misterioso no seu semblante, algo que eu, de momento, não conseguia alcançar.
Ergueu oa braços num gesto indefinido, inexpressivo que não chegou a completar e assim, permaneceu por um tempo, indesterminado...sem a participação da razão, como se essa não existisse. Seus olhos bricavam nas órbitas e olhavam para pontos diferentes porém, eram como se nada vissem. Um sorriso, quase infantil, bailava em seus lábios que tremiam ligeiramente, como que indecisos se sorriam ou não. Alguém passou por ele e lhe disse algo que não pude compreender, ao que respondeu de supetão:
- Não, eu num posso casá! Eu tenho de morrê sortero!
Repetiu essa frase numa cascata de palavras, várias vezes, enquanto a pessoa que passara por ele, perdia-se no meio da multidão que aguardava o seu ônibus, naquela rodoviária.
Ele permaneceu ali por mais alguns instantes , sempre ereto, firme, elegante, altivo!
Depois, pos-se a caminhar numa rota indefinida. Seus olhos continuavam brincando nas órbitas e, sua mente "vagueava" no incógnito mundo da loucura.
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