domingo, 24 de julho de 2011

SAIA JUSTA

             O INESPERADO ACONTECE...

                       (conto extraído do meu livro? FATOS E NÃO BOATOS




     Medeiros, 1944.
     No pequeno vilarejo situado numa região montanhosa do oeste de Minas Gerais, vive o casal Geraldo e Maria Teotônia Lemos.
     Quando, amigos por motivos vários, chegavam ao arraial, eram carinhosa e prazeirosamente, recebidos pelo casal em sua modesta, mas limpa residência.
     Um certo dia, veio visitá-los um farmaceutico chamado Sílvio Madureira. Sílvio era homem bem aparentado, cabelos bem penteados, repartidos do lado, rosto magro, compleição franzina e óculos em cima do nariz. Contudo, era muito simpático e alegre. O casal o tratava muito bem, oferecendo-lhe gostosos quitutes acompanhados de um cafezinho, torrado e moído na hora, de aroma inigualável.
     Os dias íam passando...
     Um belo dia, pela hora do almoço, Sílvio e Geraldo, já à mesa, aguardavam Dna. Maria que dispunha copos, pratos e talheres sobre a mesa de refeições. Terminado esse delicado trabalho, digiu-se à cozinha. Fritava, em manteiga superaquecida (de porco), pedaços de mandioca temperados com ligeiro traço de sal.
Derrepente, despenca do telhado, bem no centro da panela, uma barata. Dna. Maria leva um tremendo susto! O barulho que ouviu foi  o tão conhecido: Thci i i i!!! A barata simplesmente explodiu! Dna. Maria deu um pulo para trás, afim de não se queimar com os respingos da manteiga quente. Então, apressadamente, jogou tudo fora, lavou a panela e começou tudo de novo. Foi uma trabsalheira danada, sem contar o atraso com que almoço foi servido.
     À mesa, Silvio e Geraldo comiam, enquanto botavam os assuntos em dia. Dna. Maria, aproximando-se da mesa, meio encabulada, pensava em perguntar-lhes se a mandioca estava gostosa. Então...
     - Então?...a barata está boa?
     Foi a mais apertada "saia justa" pela qual já passara em toda a sua vida. Não acreditava nas palavras que acabara de pronunciar, eram como uma sentença de descrédito que imputava a si mesma, coloca a mão na boca como que querendo impedí-las de chegarem aos ouvidos dos dois homens que, admirados  , encabulados, conhecendo bem o seu bom carater e honestidade, não conseguiam entender o que realmente acontecera.
     Melhor para ela.


 

Um comentário:

  1. Ah, eu nessa mesa...
    Iria deixar D. Maria sem ar:
    "Tem um besourinho pra acompanhar?"
    Háháháháháhá...

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